Em 30 segundos
  1. Confirme: pH < 7,35 com HCO₃⁻ < 22 mEq/L.
  2. Calcule o ânion gap e corrija pela albumina.
  3. Veja se a compensação respiratória é adequada (Winter).
  4. Se AG alto, faça o delta-delta para achar o distúrbio escondido.
  5. Se AG normal, pense em perda de bicarbonato: diarreia ou rim.

1 É acidose metabólica mesmo?

pH abaixo de 7,35 com bicarbonato baixo. Se o pH estiver normal com HCO₃⁻ baixo e pCO₂ baixa, pense em distúrbio misto antes de descartar.

2 Ânion gap, corrigido pela albumina

AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻)Normal: 8 a 12 mEq/L (varia com o laboratório).
AG corrigido = AG + 2,5 × (4,0 − albumina em g/dL)Cada 1 g/dL de albumina a menos “esconde” cerca de 2,5 mEq/L de ânion gap. No paciente crítico hipoalbuminêmico, o AG “normal” pode ser alto.

3 A compensação está adequada? (Winter)

pCO₂ esperada = 1,5 × HCO₃⁻ + 8 (± 2)pCO₂ medida acima do esperado: acidose respiratória associada. Abaixo: alcalose respiratória associada.

4 AG alto: delta-delta

Δ/Δ = (AG − 12) ÷ (24 − HCO₃⁻)< 1: acidose de AG normal associada · 1 a 2: acidose de AG alto pura · > 2: alcalose metabólica associada.

AG alto: GOLD MARK

  • Glicóis (etileno, propileno)
  • Oxoprolina (paracetamol crônico)
  • Lactato
  • D-lactato
  • Metanol
  • Aspirina
  • Renal (uremia)
  • Ketoacidose (diabética, alcoólica, jejum)

AG normal: HARDUPS

  • Hiperalimentação
  • Acetazolamida
  • Renal (ATR)
  • Diarreia
  • Ureterossigmoidostomia
  • Pancreática (fístula)
  • Soro fisiológico em excesso

5 AG normal: é intestino ou rim?

Ânion gap urinário = Na⁺u + K⁺u − Cl⁻uNegativo (“neGUTivo”): perda intestinal, o rim excreta NH₄⁺ bem. Positivo: acidose tubular renal.
AchadoDiarreiaATR distal (tipo 1)ATR proximal (tipo 2)ATR tipo 4
AG urinárioNegativoPositivoPositivoPositivo
pH urinário< 5,5> 5,5Variável< 5,5
PotássioBaixoBaixoBaixoAlto
Pegadinhas
  • AG “normal” em paciente com albumina de 2,0 g/dL: corrija antes de concluir.
  • Lactato normal não exclui intoxicação por metanol ou etilenoglicol: peça gap osmolar.
  • Bicarbonato não é tratamento de rotina na acidose lática ou cetoacidose; trate a causa.
  • pCO₂ fora da faixa de Winter é um segundo distúrbio, não erro de coleta.
Referências Berend K, de Vries APJ, Gans ROB. Physiological approach to assessment of acid–base disturbances. N Engl J Med. 2014;371(15):1434-45. doi:10.1056/NEJMra1003327 Kraut JA, Madias NE. Serum anion gap: its uses and limitations in clinical medicine. Clin J Am Soc Nephrol. 2007;2(1):162-74. doi:10.2215/CJN.03020906 Conteúdo educacional para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico nem protocolos institucionais.