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  • ArbovirosesDiferenciar + estratificar gravidade

Arboviroses Diferenciar + estratificar gravidade

Qual arbovirose? Há alarme? Tríade clínica + sinais de alarme (dengue)

Como decidir: Dengue = mialgia/plaquetopenia; chik = artrite; zika = exantema/conjuntivite. Alarme = fase crítica.

• Febre alta + mialgia intensa + cefaleia retro-orbitária + leucopenia/plaquetopenia → Dengue (Artrite intensa persistente aponta chikungunya; exantema pruriginoso precoce aponta zika)

• Dengue + SINAIS DE ALARME (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosa, letargia, hepatomegalia dolorosa, aumento do hematócrito com queda de plaquetas) → Dengue com sinais de alarme / grave (extravasamento plasmático) (Ausência de alarme na defervescência sugere dengue do grupo de menor risco)

• Febre + poliartralgia/artrite intensa e simétrica (mãos e pés), por vezes persistente por semanas → Chikungunya (Mialgia sem artrite e com plaquetopenia aponta dengue)

• Febre baixa ou ausente + exantema pruriginoso precoce + conjuntivite não purulenta (gestante: risco fetal) → Zika (Mialgia intensa/artrite proeminente aponta dengue/chikungunya)

• Tríade clínica diferenciadora: Dengue (mialgia + plaquetopenia/leucopenia) · Chikungunya (artrite intensa) · Zika (exantema pruriginoso + conjuntivite)

• Estratificar a dengue (fase crítica): Os sinais de alarme surgem tipicamente na defervescência (3º-7º dia); prova do laço, hematócrito e plaquetas; classificar por grupo de risco

• Hidratação + evitar AINE/AAS: Hidratação conforme o grupo; evitar AINE/AAS na dengue (sangramento); reavaliação frequente na fase crítica

Dengue (sem alarme)

Passo-chave: Mialgia + plaquetopenia → hidratar/vigiar

Fisiopatologia: Infecção pelo vírus da dengue com viremia, aumento da permeabilidade capilar e plaquetopenia.

Diagnóstico: Febre + mialgia + cefaleia retro-orbitária + leucopenia/plaquetopenia. NS1/sorologia conforme fase.

Tratamento: Hidratação oral conforme grupo de risco + sintomáticos (dipirona/paracetamol); reavaliação. Evitar AINE/AAS.

Alerta: A fase crítica é na defervescência — orientar retorno imediato se alarme.

Pegadinhas:

  • Orientar sinais de alarme e retorno na defervescência.
  • Evitar AINE/AAS e procedimentos invasivos desnecessários.
  • Hemoconcentração + queda de plaqueta = vigiar de perto.

Dengue Grave / com Alarme

Passo-chave: Alarme → hidratação EV + observação

Fisiopatologia: O aumento acentuado da permeabilidade capilar causa extravasamento, hemoconcentração, choque e/ou sangramento.

Diagnóstico: Dengue + sinais de alarme ou sinais de gravidade (choque, sangramento importante, disfunção orgânica). Hematócrito e plaquetas seriados.

Tratamento: Hidratação endovenosa guiada + observação/internação; suporte do choque. Reavaliação frequente.

Alerta: Extravasamento plasmático → choque; iniciar hidratação EV e monitorar hematócrito.

Pegadinhas:

  • Queda abrupta da plaqueta com subida do hematócrito anuncia extravasamento.
  • Melhora da febre NÃO é melhora — é o início da fase crítica.
  • Choque da dengue responde a volume (cristaloide).

Chikungunya

Passo-chave: Artrite intensa e persistente

Fisiopatologia: Vírus chikungunya com forte tropismo articular, causando artrite/artralgia intensa, às vezes persistente.

Diagnóstico: Febre + poliartralgia/artrite simétrica de mãos e pés ± exantema. Sorologia conforme fase.

Tratamento: Sintomáticos (analgesia); manejo da artralgia crônica na fase pós-aguda. Evitar AINE até excluir dengue.

Alerta: Artralgia pode cronificar por meses — impacto funcional importante.

Pegadinhas:

  • Artrite é mais marcante e duradoura que na dengue.
  • Pode deixar artralgia crônica por meses.
  • Coinfecção com dengue é possível.

Zika

Passo-chave: Exantema pruriginoso + conjuntivite

Fisiopatologia: Vírus zika, geralmente quadro leve, com exantema pruriginoso e conjuntivite; risco neurológico fetal e associação com Guillain-Barré.

Diagnóstico: Febre baixa/ausente + exantema pruriginoso precoce + conjuntivite não purulenta. Atenção especial na gestante.

Tratamento: Suporte; acompanhamento pré-natal específico na gestante; vigilância para Guillain-Barré.

Alerta: Na gestante há risco de malformação fetal (microcefalia).

Pegadinhas:

  • Pode cursar sem febre.
  • Gestante: risco de síndrome congênita (microcefalia).
  • Associado a Guillain-Barré pós-infeccioso.