Toque nos quadros para ver o passo-chave, a fisiopatologia, o diagnóstico, o tratamento e os pontos de atenção. No fluxograma, arraste para os lados para ver os outros ramos.
- AsciteLíquido peritoneal
- GASAL ≥ 1,1Hipertensão portal (85%)Cirrose, ICC, Budd-Chiari
- GASAL < 1,1Sem hipertensão portalInflamação/malignidade
- AsciteLíquido peritoneal
- GASAL ≥ 1,1Hipertensão portal (85%)Cirrose, ICC, Budd-Chiari
- GASAL < 1,1Sem hipertensão portalInflamação/malignidade
Ascite Líquido peritoneal
GASAL Albumina sérica − ascítica
Como decidir: ≥ 1,1 g/dL = hipertensão portal. < 1,1 = outra causa.
• GASA ≥ 1,1 g/dL → Hipertensão portal (cirrose, ICC, Budd-Chiari) (Acurácia de 97% para HP (USP))
• GASA < 1,1 g/dL → Doença peritoneal (TB, neoplasia, nefrótico, pancreática, LES) (Mecanismo não é pressão portal)
• GASA ≥1,1 + proteína do líquido > 2,5 → ICC (vs cirrose) (Cirrose tem proteína < 2,5)
• PMN > 250/mm³ + cultura positiva → PBE (PMN >250 cultura negativa = ascite neutrofílica; PMN <250 cultura+ = bacterascite)
• GASA (albumina soro − ascite): A 1ª bifurcação: ≥1,1 hipertensão portal (97% acurácia) vs <1,1 doença peritoneal
• Celularidade do líquido: PMN > 250/mm³ = tratar como infecção; é o exame imediato mais útil
• Critérios de peritonite secundária: PMN>250 + ≥2 de: glicose<50, DHL elevado, proteína>1 g/dL → suspeitar perfuração (TC)
GASAL ≥ 1,1 Hipertensão portal (85%)
Cirrose
Passo-chave: GASAL + proteína + USG Doppler
Fisiopatologia: Hipertensão portal + hipoalbuminemia → transudato peritoneal.
Diagnóstico: GASAL ≥ 1,1 + proteína < 2,5; estigmas de hepatopatia.
Tratamento: Restrição de sódio + espironolactona ± furosemida; paracentese de alívio.
Alerta: PBE: PMN > 250 = cefotaxima + albumina.
Pegadinhas:
- Sempre fazer contagem de PMN na paracentese (rastrear PBE).
- Albumina após paracentese volumosa (> 5 L) previne disfunção circulatória.
- Hiponatremia indica prognóstico pior.
ICC Direita
Passo-chave: GASAL alto + proteína > 2,5 + BNP
Fisiopatologia: Congestão venosa sistêmica por falÊncia direita transuda para o peritÔnio.
Diagnóstico: GASAL ≥ 1,1 MAS proteína > 2,5; TJ, BNP elevado.
Tratamento: Tratar a ICC.
Alerta: Proteína alta diferencia da cirrose.
Pegadinhas:
- GASAL alto com proteína alta aponta coração, não fígado.
- Pericardite constritiva mimetiza.
- BNP ajuda a confirmar a origem cardíaca.
Budd-Chiari
Passo-chave: Doppler hepático + AngioTC
Fisiopatologia: Obstrução do efluxo venósoso hepático → congestão e ascite.
Diagnóstico: TrÍade dor + hepatomegalia + ascite; Doppler com fluxo reverso nas hepáticas.
Tratamento: Anticoagulação ± TIPS; tratar a trombofilia de base.
Alerta: JAK2 em > 40% — investigar SMP.
Pegadinhas:
- Pesquisar síndrome mieloproliferativa (JAK2).
- Início agudo com transaminases altas é possível.
- TIPS quando refratário ao clínico.
GASAL < 1,1 Sem hipertensão portal
Peritonite Tuberculosa
Passo-chave: ADA + linfocitose + biópsia
Fisiopatologia: Implantes tuberculosos no peritÔnio → exsudato linfocitário.
Diagnóstico: GASAL < 1,1 + proteína alta + ADA elevado; biópsia peritoneal é definitiva.
Tratamento: Esquema RIPE.
Alerta: ADA falso-baixo em AIDS.
Pegadinhas:
- ADA tem boa performance, mas falha em imunossuprimido.
- Jovem com ascite exsudativa = considerar TB.
- Notificação obrigatória.
Carcinomatose Peritoneal
Passo-chave: Citologia + TC + marcadores
Fisiopatologia: Implantes tumorais peritoneais → exsudato, frequentemente hemático.
Diagnóstico: GASAL < 1,1 + citologia oncótica (+); TC com implantes.
Tratamento: Tratar a neoplasia de base.
Alerta: Citologia negativa não exclui.
Pegadinhas:
- Repetir citologia ou biopsiar se negativa e suspeita alta.
- Ovário, cólon e estômago são primários comuns.
- Marcadores (CA-125) auxiliam mas não fecham.
PBE
Passo-chave: PMN > 250/mm³ no líquido
Fisiopatologia: Infecção do líquido ascítico sem foco cirúrgico (translocaĉão bacteriana).
Diagnóstico: PMN > 250 no líquido; cirrótico internado, pode ser assintomático.
Tratamento: Cefotaxima + albumina (1,5 g/kg D1, 1 g/kg D3).
Alerta: Secundária (ruptura): glicose<50, proteína>10, LDH alto → TC.
Pegadinhas:
- Diferenciar PBE de secundária muda toda a conduta (cirurgia).
- Pode ser totalmente assintomática — rastrear sempre.
- Albumina previne síndrome hepatorrenal.