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  • Bloqueio AtrioventricularDistúrbio de condução AV no ECG

Bloqueio Atrioventricular Distúrbio de condução AV no ECG

Qual o grau e a topografia? Relação PR e P:QRS + largura do QRS

Como decidir: Nodal (1º, Mobitz I) = baixo risco. Infranodal (Mobitz II, BAVT) = marca-passo.

• PR fixo >200 ms, TODAS as P conduzem → BAV de 1º grau (benigno) (P bloqueadas (não conduzidas) excluem 1º grau)

• PR alarga progressivamente até uma P bloquear (fenômeno de Wenckebach) → BAV 2º grau Mobitz I (geralmente nodal, benigno) (P bloqueada sem alargamento prévio do PR aponta Mobitz II)

• P bloqueada SÚBITA, sem alargamento progressivo do PR; QRS frequentemente largo → BAV 2º grau Mobitz II (infranodal, alto risco) (Alargamento progressivo do PR aponta Mobitz I)

• Dissociação AV completa: P e QRS independentes, ritmo de escape → BAV total (3º grau) — alto risco (Alguma relação P-QRS afasta bloqueio completo)

• Análise do PR e da relação P:QRS: PR fixo longo (1º) / PR crescente até falhar (Mobitz I) / falha súbita (Mobitz II) / nenhuma relação (BAVT)

• Largura do QRS + topografia: QRS estreito + resposta à atropina = nodal (benigno); QRS largo = infranodal (escape instável, alto risco)

• Indicação de marca-passo: Mobitz II, BAVT e bradicardia sintomática sem causa reversível → marca-passo (temporário e depois definitivo)

BAV de 1º Grau

Passo-chave: PR fixo >200 ms, todas conduzem

Fisiopatologia: Atraso da condução no nó AV, sem bloqueio efetivo — todo impulso atrial alcança o ventrículo, apenas mais lento.

Diagnóstico: PR fixo >200 ms com condução 1:1.

Tratamento: Nenhum tratamento específico se assintomático; revisar drogas que prolongam o PR.

Alerta: Geralmente benigno; revisar fármacos.

Pegadinhas:

  • PR muito longo (>300 ms) pode dar sintomas tipo 'marca-passo'.
  • Não evolui isoladamente para bloqueios avançados na maioria.
  • Pode coexistir com bloqueios de ramo.

BAV 2º Grau Mobitz I (Wenckebach)

Passo-chave: PR crescente até falhar

Fisiopatologia: Fadiga progressiva da condução nodal: o PR aumenta batimento a batimento até uma P não conduzir, reiniciando o ciclo.

Diagnóstico: PR que alarga progressivamente até uma P bloquear; QRS costuma ser estreito.

Tratamento: Assintomático: observar/revisar fármacos. Sintomático: atropina; marca-passo só se refratário.

Alerta: Nodal e geralmente benigno; raramente precisa de marca-passo.

Pegadinhas:

  • Típico do nó AV (responde à atropina).
  • Comum no IAM inferior (vagal, transitório).
  • Diferenciar de Mobitz II é crucial para o prognóstico.

BAV 2º Grau Mobitz II

Passo-chave: P bloqueada súbita + QRS largo

Fisiopatologia: Bloqueio infranodal (abaixo do feixe de His): a condução falha de forma abrupta e imprevisível, com escape lento e instável.

Diagnóstico: P bloqueada súbita sem alargamento prévio do PR; QRS frequentemente largo. Pode haver bloqueio 2:1.

Tratamento: Marca-passo (temporário → definitivo), mesmo se pouco sintomático, pelo risco de assistolia. Atropina costuma não ajudar.

Alerta: Alto risco de progressão para BAVT — marca-passo.

Pegadinhas:

  • Não confiar na atropina (pode até piorar).
  • QRS largo confirma origem infranodal.
  • Indicação de marca-passo definitivo.

BAV Total (3º Grau)

Passo-chave: Dissociação AV completa

Fisiopatologia: Nenhum impulso atrial alcança o ventrículo; átrios e ventrículos batem de forma independente, sustentados por um ritmo de escape (mais lento e instável quanto mais baixo).

Diagnóstico: Dissociação AV completa: P e QRS sem relação, FC ventricular fixa de escape.

Tratamento: Marca-passo transcutâneo/transvenoso de urgência → definitivo. Atropina/drogas como ponte. Tratar causa reversível (IAM, hipercalemia, fármaco).

Alerta: Emergência: marca-passo; risco de assistolia.

Pegadinhas:

  • Escape com QRS largo = mais baixo e instável.
  • BAVT do IAM inferior pode ser transitório; do anterior, grave.
  • Sempre excluir hipercalemia e intoxicação.